TENHO CANCRO, E AGORA?

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O cancro é uma doença caracterizada pela reprodução, crescimento e proliferação descontrolada de células dos tecidos do corpo humano. Este crescimento desregulado de células com informação genética alterada é muitas vezes “permitido” pelo sistema imunitário que não se encontra capaz de combater este processo.

 

O cancro é uma doença caracterizada pela reprodução, crescimento e proliferação descontrolada de células dos tecidos do corpo humano. Este crescimento desregulado de células com informação genética alterada é muitas vezes “permitido” pelo sistema imunitário que não se encontra capaz de combater este processo.

O aparecimento de tumores (benignos ou malignos) tem diversas condicionantes e há uma série de factores agravantes que proporcionam maior facilidade ao seu desenvolvimento, como o estilo de vida (alimentação, tabagismo, sedentarismo, etc) e factores genéticos. Cabe a cada um dar força ao seu sistema imunitário para que este seja capaz de combater este crescimento de células “más”, bem como fazer rastreios e estar atento ao próprio corpo a fim de estabelecer diagnósticos precoces no caso de existir sinal de alarme (o diagnóstico precoce da doença aumenta exponencialmente o sucesso do seu tratamento).

E quando o diagnóstico é aquilo que menos se quer ouvir: “Tenho cancro!? E agora?”

Nada de pânico! Felizmente a ciência evoluiu e continua a evoluir de uma forma incrível, e há agora muitos recursos disponíveis para combater a doença mais temida pela maioria!

É preciso intervir desde logo, a Medicina Convencional dá resposta ao doente oncológico com base em tratamentos de quimio e radioterapia e cirúrgicos, e o oncologista saberá sempre qual o melhor caminho a seguir.

Mas depois surgem as dúvidas… os medos… “Os tratamentos vão fazer mal a outras coisas!?”, “Vou ficar muito debilitado com a quimio e radioterapia!?”, “O meu corpo não vai aguentar!”…

Mais uma vez: calma! Todos conhecem os efeitos secundários da quimioterapia, pelo menos os mais visíveis, mas nenhum médico faz o doente passar este processo em vão… Ao contrário do que muito se diz por aí em “teorias da conspiração”, há que confiar que todos os médicos trabalham em prol dos seus doentes!

A Medicina Chinesa intervém no tratamento de cancro de várias formas. Sendo o doente oncológico um sujeito debilitado física e emocionalmente, há várias “frentes de ataque” nas quais temos capacidade para investir, como o incremento do sistema imunitário a fim de ajudar o próprio organismo a combater o crescimento anormal das células tumorais e resistir aos efeitos secundários dos tratamentos, o apoio na redução do tumor primário (por meio de fitoterapia) e o tratamento da depressão e ansiedade causadas, inevitavelmente, pelo diagnóstico da doença.

A Medicina Chinesa é um aliado de peso da Medicina Convencional! A quimio e radioterapia são de facto muito potentes… tanto que afectam todo o corpo, mas não podemos esquecer o mais importante: atingem o “inimigo”! Em oncologia, vejo o meu trabalho, enquanto Especialista de Medicina Chinesa, como uma posição de retaguarda e suporte fundamental num tratamento de sucesso com o mínimo de efeitos indesejáveis. A minha principal função no acompanhamento de um doente oncológico é dar-lhe suporte físico e emocional para que seja capaz de superar com sucesso o processo convencional, e assim somos capazes de resumir os tratamentos agressivos ao mínimo essencial e o “calvário” é muito menor.

Um dia, quando uma grande amiga minha foi diagnosticada com cancro de mama, além de ter iniciado imediatamente os tratamentos de Medicina Chinesa, foi também a um Naturopata para receber algumas recomendações e orientação nomeadamente alimentar, etc. Qual não é o meu espanto quando, ao falar sobre a decisão terapêutica do oncologista, o colega de Naturopatia desaconselha-a totalmente a fazer quimio, radioterapia e até cirurgia!!! Os argumentos foram mais que muitos… após longa consulta e com base em alguns meios complementares de diagnóstico, ele concluiu que ela não necessitava dos tratamentos propostos pela Convencional e que isso só iria prejudica-la, que o seu corpo nunca mais seria o mesmo, etc etc etc… Fundamentou a escolha dos médicos com o lobby farmacêutico que envolve, nomeadamente, a quimioterapia, e deitou por terra as poucas certezas que ela tinha até ao momento!

Ela saiu de lá cheia de dúvidas acerca da real necessidade de fazer os tratamentos convencionais. E, confiando totalmente a sua decisão a mim, questionou-me: “o que é que eu faço agora?” Respondi com o argumento que defendo até hoje: “Todos temos o direito e o dever de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance pela nossa saúde, de forma consciente!” Portanto dei-lhe apenas uma certeza: “Sejam quais forem os efeitos da quimioterapia, eu estou cá com a Medicina Chinesa, disciplina alimentar e regra no estilo de vida para minimizá-los e permitir que faças isto com “uma perna às costas”!”

O resultado foi um “calvário” curto e um sucesso terapêutico das duas Medicinas enorme, que surpreendeu quem a acompanhou!

Pouco importa de quem foi o sucesso… da Convencional com os tratamentos?? Da Chinesa com o suporte ao sistema imunitário?? Que interessa isso? O sucesso é do doente e de mais ninguém!! E é por eles (doentes) que todos trabalhamos e dedicamos as nossas vidas… sem sede de protagonismo e com a sensatez de estarmos a tratar o outro como queremos que nos tratem a nós!  O doente é a única e exclusiva prioridade do profissional de saúde!

Por isso, quando o diagnóstico é assustador: calma! Há várias vertentes de tratamento e não precisamos de escolher uma delas… Podemos tê-las todas!!

 

Paula Gradim

Especialista de Medicina Chinesa

CP: C-006403